Biografia
Escritor nascido em 23 de novembro de 1608 e falecido em 24 de agosto de 1666, é considerado uma das figuras mais proeminentes do século XVII isso deve-se muito ao fato de ser proveniente de família nobre, tendo por esse motivo realizado sua educação na corte até os 10 anos.
Detentor de uma versatilidade que o levou a servir desde a armada espanhola até a ordem de cristo, tendo alternado este serviço com o recrutamento e posteriormente comandando na Guerra dos trinta anos (1639) no ano seguinte ajudou a reprimir a revolta da Catalunha entre 1640 e 1644 fora encarcerado duas vezes por diversos motivos mas o principal sendo político, e foi na prisão onde o mesmo redigiu a maioria de suas obras ao mesmo tempo que lutava pela liberdade.
Em 1655 D. Francisco Manuel de Melo foi exilado para o Brasil e instalou-se na Baía e acabou por melhorar suas finanças investindo no negócio de açúcar, mas independentemente de suas aventuras financeiras ele continuou a escrever, três anos depois retornou ao seu país de origem 1660 animava a Academia dos Generosos.
A partir daí seguiu se o início de sua carreira diplomática o lhe permitiu viajar pela Europa antes de usa morte aos 57 anos.
Diálogo da Vida e o Tempo
V. Quem chama dentro em mi? – T. O tempo ousado
V. Entraste sem licença? – T. Tenho-a há muito.
V. Que me queres? – T. Que me ouças. – V. Já te escuto.
T. Prometes de me crer? – V. Fala avisado.
T. Errada vás. – V. Também tu vás errado.
T. Essa é condição minha. – V. Esse é meu fruto.
T. És mulher descuidada. – V. És velho astuto.
T. Erro sem dano meu. – V. Assás tens dado.
T. Ai, vida como passas? – V. Perseguida.
T. De quem? – V. De ti. – T. O Tempo o gosto nega.
V. O tempo é ar. – T. A Vida é passatempo.
V. Tu já nem Tempo és. – T. Nem tu és já Vida.
V. Vai para louco. – T. Vai-te para cega.
Vedes como se vão a Vida e o Tempo?
Mundo Incerto
Eis aqui mil caminhos: Porventura
Qual destes leva a gente ao povoado?
Todos vão sós: só este vai trilhado;
Mas se, por ser trilhado, me assegura?
Não: que desd’o princípio há que lhe dura
Do erro este costume, ao mundo dado;
Ser aquele caminho mais errado,
O que é de mais passage e fermosura.
Em fim não passarei, temendo a sorte?
Também, tanto temor é desconcerto:
A quem passar avante, assi lhe importe.
Que farei logo, incerto em mundo incerto? –
Buscar nos Céus o verdadeiro Norte,
Pois na terra não há caminho certo.
Outras Obras do Autor
A nível literário seu trabalho bilíngue contempla, comédias, novelas, versos líricos entre outros que podem ter se perdido com o tempo, ele tratava de assuntos com cunho histórico, moralistas, políticos e militares. Dentre suas obras as mais conhecidas estão:
- Epanáforas de Vária História Portuguesa (1651);
- Auto do Fidalgo Aprendiz (1676);
- Obras Morales (1664);
- Obras Métricas (1665);
- Carta de Guia de Casados (1651).
Referências Bibliográficas
D.Francisco Manoel de Melo. Infopedia 2020. Disponível em: <https://www.infopedia.pt/$d.-francisco-manuel-de-melo>. Acesso em: 27/05/2020.
Francisco Manoel de Melo. Citador, 2019. Disponível em: <http://www.citador.pt/poemas/a/francisco-manuel-de-melo>. Acesso em: 27/05/2020.
D.Francisco Manoel de Melo. Nicoladavid 2020. Disponível em: <http://www.nicoladavid.com/literatura/d-francisco-manuel-de-melo>. Acesso em: 27/05/2020.







